"Meu filho, se trabalhar enricasse, eu era milionária!"

Agricultura

27/01/2019 às 19h32

"Meu filho, se trabalhar enricasse, eu era milionária!"

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SOLEDADE (PB) - Sentado em uma cadeira simples no alpendre da casa de dona Benedita, uma agricultora de 73 anos, residindo atualmente um assentamento há mais ou menos três quilômetros da cidade do lado sul, ouço uma boa história... ou melhor, algumas boas histórias de superação dessa guerreira que até os dias atuais, corta lenha de machado, faz cerca no seu pequeno sítio e cuida dos poucos animais que possui.

 

Era uma manhã de sábado, 26 de janeiro de 2019, por volta das 10h20, quando chegou a sua residência, acompanhado do vereador, Alexandre do Cardeiro (PSDC) e somos logo recebido na porteira por ela, sorridente, que nos oferece um café, que tomamos de bom grado.

 

Dona Benedita nasceu em janeiro de 1946, no sítio Ilha Grande, município de Soledade, época difícil, onde não havia nenhuma política pública dos governos, Estadual e Federal, para beneficiar o pobre agricultor e, para sobreviver, era preciso dar duro na roça e comer até calango se não quisesse morrer de fome.

 

Mas ele resistiu bravamente, comprovando que a mulher paraibana é guerreira e não tem medo de enfrentar as tempestades da vida, muito embora que nessa região, não há tempestades, mas um sol escaldante, que deixa tudo esturricado.

 

"Meu filho, se trabalhar enricasse, eu era milionária, pois o que eu já trabalhei nessa vida!...".

 

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Aos 18 anos, dona Benedita casou-se com Martinho Procópio, nascido em 1930 e, portanto, 16 anos mais velho do que ela.

 

Era 1964, ano difícil para a política Nacional, pois os militares, através de um golpe, derrubaram o presidente, João Goulart e tomaram o poder.

 

Porem dona Benedita, feliz da vida com o marido, nem ficou sabendo desse capítulo negro da história do País.

 

A palavra bíblica, "crescei e multiplicai-vos", foi cumprida a risca por dona Benedita e seu Martinho, hoje com 89 anos, pois ambos tiveram ao todo, 19 filhos, dos quais 17 (11 mulheres e 6 homens), sobreviveram a terra árida e estão por aí contando a história.

 

Sem andar há 9 anos, vivendo, hora deitado em uma cama ou sentado numa cadeira no quarto, depois de ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), seu Martinho é um grande companheiro e numa deixou a amada sozinha no trabalho.

 

Ela passa a mão na cabeça dele, num gesto de carinho, e elogia o seu companheirismo ao longo dessas mais de cinco décadas juntos.

 

"Esse aqui era trabalhador, nunca enjeitou serviço nem nunca me deixou só no roçado. Saia do roçado comigo do lado. também nunca me obrigou a trabalhar. Eu trabalhava porque para sustentar esse mundaréu de filho tinha que ter muita ajuda", diz ela ao lado do esposo.

 

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Em um determinado momento, dona Benedita brinca com a situação e diz que tem hora que chega a pensar que o marido está hoje acamado porque pode ter recebido um castigo de Deus, por ter feito muitos filhas nela.

 

Apesar de ambos serem aposentados, os dois salários mínimos que recebem do Governo Federal, não são suficientes, pois as despesas crescem a cada dia e, por isso, ela pediu ajuda ao vereador, Alexandre, no sentido de conseguir uma cadeira de rodas para poder levar seu Martinho para o terreiro tomar sol e uma brisa, além de uma cadeira de banho.

 

O parlamentar acionou o jornalista, que conseguiu os benefícios através de doações e ambos foram entregar.

 

Saímos de lá felizes com a espontaneidade de dona Benedita, uma mulher que já passou por grandes momentos de dificuldades na vida, mas que nunca perdeu a esperança de uma vida melhor, que, apesar da pobreza, criou sua numerosa família com decência e todos, honestos, estão bem encaminhados na vida, cuidando de suas próprias famílias e ela, com grande vitalidade, vive feliz e satisfeita, ao lado do seu eterno amor, de quem cuida com esmero.

 

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Da redação

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