Preço da gasolina bate recorde e chega ao maior valor em 10 anos

Econômia

23/09/2018 às 20h17

Preço da gasolina bate recorde e chega ao maior valor em 10 anos

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O preço da gasolina nos postos brasileiros chega às vésperas da eleição no maior patamar dos últimos dez anos, aumentando a pressão sobre a política de reajustes instituída pela Petrobras durante o governo Michel Temer.

 

Entre os principais candidatos à Presidência da República, é quase consenso que o modelo deve sofrer algum tipo de mudança.

 

Apenas Jair Bolsonaro (PSL) apresenta em sua proposta uma fórmula parecida com a atual.

 

Nesta semana, a gasolina foi vendida em média no Brasil a R$ 4,65 por litro, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), alta de 0,5% com relação à semana anterior.

 

Desconsiderando picos provocados pelo desabastecimento durante a greve dos caminhoneiros, é o maior valor desde janeiro de 2008 (corrigidos pela inflação), quando a cotação do petróleo se aproximava dos US$ 100 (R$ 400, na cotação atual) por barril.

 

Em junho daquele ano, chegou a bater em US$ 140 por barril (R$ 560). Nesta sexta (21), o petróleo Brent fechou a US$ 78,80 (cerca de R$ 315).

 

Além do efeito da cotação do petróleo, a escalada dos preços em 2018 é fruto da valorização do dólar, uma vez que a política adotada pela Petrobras desde outubro 2016 determina que a venda do combustível no País deve acompanhar o valor do produto importado -o que inclui repassar a variação cambial.

 

No ano, o reajuste acumulado do preço da gasolina nas refinarias da estatal soma 29%, já descontada a inflação do período.

 

Nas bombas, o aumento acumulado é de 10%, também descontada a inflação.

 

Quatro dos cinco candidatos com maiores intenções de votos segundo as pesquisas, defendem mudanças em relação ao modelo atual.

 

A profundidade das mudanças varia, porém, de acordo com o posicionamento econômico das candidaturas.

 

Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) dizem que, se eleitos, manterão preços alinhados às cotações internacionais, mas propõem instrumentos para suavizar o repasse das variações ao consumidor.

 

"O mercado de petróleo e o câmbio são livres", disse, em nota, a campanha de Marina. "No entanto, a economia interna não deve estar sujeita à tanta volatilidade".

 

Ela propõe a adoção de um sistema de médias móveis, que podem ser trimestrais.

 

Atualmente, a Petrobras usa sistema parecido na definição dos preços do gás de botijão de 13 quilos.

 

A cada três meses, o valor é reajustado com base na variação das cotações internacionais e do câmbio nos doze meses anteriores.

 

Essa metodologia foi adotada após a política anterior levar o preço do botijão às alturas e forçar 1,2 milhão de residências brasileiras a usar lenha e carvão para cozinhar.

 

Em 2018, após três reajustes, o preço do gás nas refinarias acumula queda de 8% em relação ao fim do ano anterior.

 

Alckmin defende reajustes com periodicidade fixa e alíquotas flexíveis para impostos federais e estaduais, medida que dependeria de acordo com os estados.

 

"As alíquotas devem cair quando há alta no preço internacional ou desvalorização da moeda e subir no caso oposto", diz a campanha tucana.

 

Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) propõem mudanças no cálculo dos preços, reduzindo o peso das cotações internacionais e do câmbio.

 

"A política de preços de combustíveis da Petrobras será reorientada", diz o programa de Governo do petista.

 

"O mercado brasileiro é aberto a importações, mas isso não significa que o petróleo retirado no Brasil, aqui transportado e refinado, com custo bem menor que o internacional, seja vendido aos brasileiros segundo a nova política de preços da Petrobras do governo Temer", afirma o texto.

 

Em seu programa de governo, Ciro propõe "a estabilidade de preços importantes, como o petróleo, no mercado interno (sempre resguardando a rentabilidade das empresas produtoras desses bens)", mas não dá maiores detalhes.

 

Em entrevistas, o candidato tem dito que o cálculo dos preços deve considerar parcelas dos custos em real, ao invés das cotações internacionais em dólar.

 

Sua campanha não respondeu ao pedido de entrevistas sobre o tema.

 

Já o líder das pesquisas, Jair Bolsonaro, defende em seu programa o alinhamento aos preços internacionais com mecanismos de proteção financeira -conhecidos com hedge- para suavizar as flutuações de curto prazo, proposta parecida ao modelo praticado pela Petrobras hoje.

 

Há duas semanas, a estatal anunciou a possibilidade de segurar os repasses por até 15 dias, usando mecanismos de hedge, que contemplam a compra e venda de contratos futuros de câmbio e combustíveis para se proteger das flutuações.

 

O preço da gasolina em suas refinarias está congelado há dez dias, em uma indicação de que o mecanismo está sendo usado no momento.

 

A empresa, porém, não confirma. Procurada, não quis comentar as propostas de mudança na política de preços.

 

Em reuniões com representantes dos candidatos, porém, executivos da estatal têm defendido que a manutenção de preços alinhados ao mercado internacional é fundamental para o esforço de redução de seu endividamento.

 

Em uma tentativa de blindar a política atual, a gestão da companhia colocou em estatuto no fim de 2017 cláusulas que obrigam o Governo a ressarci-la em caso de concessão de subsídios.

 

A avaliação é que, assim, mudanças abruptas terão que passar por assembleia de acionistas.

 

Por Nicola Pamplona da Folhapress

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