Loja ou banco? Startups financeiras podem transformar o varejo

Econômia

26/12/2018 às 11h20

Loja ou banco? Startups financeiras podem transformar o varejo

ESTA MATÉRIA FOI VISTA 309 VEZES

Ir às compras é cada vez mais uma atividade desafiadora. A oferta de produtos e serviços financeiros nada contra a correnteza da crise econômica enfrentada pelo país nos últimos anos.

 

Parte desse cenário se deve a disseminação de serviços financeiros independentes de grandes bancos. Muitos deles popularizados por grandes lojas e redes varejistas, que lançam alternativas através de iniciativas digitais inovadoras.

 

Em breve, as lojas se tornarão bancos e esse processo já começou há algum tempo.

 

Cartões com o nome do supermercado, seguros contra roubos ou defeitos de produtos… Serviços que não podem ser colocados em uma prateleira, mas são oferecidos em larga escala pela rede varejista no Brasil e no mundo.

 

No entanto, esse cenário ainda pode evoluir. Em breve, varejistas devem estar aptas a oferecer uma gama de serviços financeiros, como por exemplo crédito, de forma independente e sem a necessidade de um banco parceiro para a liquidação das operações.

 

De acordo com Davi cunha, head de Open Banking da Sciensa, Uma das razões para acreditar nisso está no movimento crescente de APIs abertas.

 

Com a regulamentação de Open Banking feita na Europa (a PSD2) e suas perspectivas de chegada ao Brasil em 2019, mais players terão acesso a informações relevantes e valiosas de clientes, capazes de trazer novos modelos de negócio à tona.

 

No Brasil, um passo importante dado este ano foi a regulamentação das startups de crédito pelo Banco Central, por meio da resolução n. 4.656 de abril de 2018.

 

Com a nova norma, fintechs regulamentadas podem conceder crédito a empresas diretamente, utilizando seu próprio capital, assim como intermediar empréstimos entre pessoas através de um modelo chamado de P2P (peer-to-peer).

 

De acordo com o executivo, “essa abertura gradual aos diversos setores para lidar com serviços financeiros, somada ao cenário brasileiro de aproximadamente 60 milhões de pessoas desbancarizadas – sempre frequentando as redes físicas de grandes varejistas – deve fazer com que esses players passem a atuar no segmento financeiro de forma cada vez mais autônoma, investindo mais nessa frente de serviços”, explica Davi.

 

Ou seja, a fim de não perder espaço para a nova concorrência, instituições financeiras investirão em um novo modelo de oferta, chamado “Banco como Plataforma” (ou BaaP).

 

Na da mais do que uma nova estratégia que acelera a transformação da instituição financeira tradicional em uma plataforma de serviços aberta e modular.

 

Abrindo mais espaço para a parceria com lojas, franquias midiáticas e até mesmo de alimentação.

 

Por incrível que pareça esse modelo de negócio dá mais autonomia ao elo mais fraco dessa corrente: o cliente.

 

Desde que o capitalismo regula o comércio mundial, o indivíduo sempre foi o pilar sustentável do sistema.

 

Com mudanças equivalentes ao Open Banking, a forma de se relacionar com as instituições financeiras também muda.

 

Mais independência e transparência no trato de dados pessoais e bancários, segundo o especialista.

 

E como ficam os bancos tradicionais? “Precisarão de cada vez mais conhecimento para se adaptarem as novas exigências do novo mercado (…)

 

Mais do que atrair novos clientes, será necessário cruzar a maior quantidade de dados possíveis para gerar insights significativos e oferecer produtos adequados às necessidades de cada consumidor – algo que, ainda hoje, é algo muito raro por aqui”, conclui o executivo.

 

Por Vitor Valencio

Comentários

Veja também

Facebook