Estudo aponta que 82% dos donos de negócio na Paraíba não possuem CNPJ

Econômia

12/06/2019 às 07h57

Estudo aponta que 82% dos donos de negócio na Paraíba não possuem CNPJ

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Informalidade. Essa é uma das palavras que ainda estão presentes no cotidiano de grande parte dos donos de negócio na Paraíba.

 

É o que aponta estudo realizado pelo Sebrae Nacional,com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) do último trimestre de 2018.

 

Conforme os dados, apenas 18% dos donos de negócio do estado possuem o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), que é o registro formal de uma empresa, ou microempreendedor individual (MEI), junto a Receita Federal.

 

Isso significa que, dos 514.090 donos de negócio existentes na Paraíba no respectivo período, apenas 92.145 possuem o CNPJ.

 

Ainda conforme os dados, o percentual verificado na Paraíba se assemelha ao registrado no Nordeste, região onde apenas 17% dos donos de negócio são formalizados.

 

Já no Brasil como um todo, segundo os dados do estudo, o percentual de formalização verificado foi de 29%, em um universo de 28,4 milhões de donos de negócios existentes no país no último trimestre do ano passado.   

 

“Os números sobre informalidade na Paraíba refletem, principalmente, a insegurança dos empreendedores nesse momento de crise, visto que legalizar ou registrar uma empresa requer pagamentos de impostos e tributos, bem como conhecimentos específicos do mercado. Dessa forma, a incerteza se o negócio vai dar certo ou não acaba fazendo com que o empreendimento fique na informalidade”, destaca a gerente de estratégia do Sebrae Paraíba, Ivani Costa.

 

Os dados também estão relacionados ao fato de que, muitas vezes, o negócio iniciado é apenas uma fonte complementar de renda para o empreendedor.

 

“Nesse caso, os empreendedores preferem experimentar o informal antes de escolher entre o negócio e o atual emprego”, acrescenta.

 

O estudo também aponta que o maior índice de donos de negócio sem CNPJ na Paraíba, está no setor da agropecuária, que registrou índice de formalização de apenas 1,16%.

 

Em seguida, aparecem o segmento da construção, com índice de formalização de 5%; o da indústria, com 10%; o setor de serviços, com 24%; e o comércio, segmento que registrou o mais percentual de formalização, com 30% dos donos de negócio possuindo o CNPJ.

 

Na Paraíba, a pesquisa também revela uma relação entre o nível de escolaridade e a formalização.

 

Entre os donos de negócio sem instrução, o percentual de formalizados é de 2,3%, seguido pelos 10% verificados entre os que possuem o ensino fundamental, 22% para os donos de negócio com ensino médio e 50% entre os que concluíram o ensino superior.  

 

Em relação ao gênero, os dados apontam uma pequena diferença entre homens e mulheres.

 

No caso das paraibanas, 19% são formalizadas, contra 17% dos homens que possuem CNPJ.

 

Outra segmentação apresentada pelo estudo revela uma diferença considerável entre donos de negócio brancos e negros.

 

Nesse caso, apenas 14,3% dos negros estão formalizados, percentual que entre os brancos é de 25,6%.

 

Para traçar um perfil sobre o empreendedorismo informal, o estudo também apresenta dados relacionados ao local onde as atividades são exercidas e a idade dos donos de negócio no estado.

 

No primeiro tópico, o menor índice de formalização, de 1,2%, foi verificado em negócios desenvolvidos em fazendas, sítios ou similares.

 

Em seguida, aparecem aqueles que atuam em áreas ou vias públicas, cujo índice de formalização é de 2,6%.

 

Os demais índices são: local designado pelo cliente (4%); no domicílio (5%); em veículo automotor (11%); em domicílio de sócio ou cliente (19%); em estabelecimento de outra empresa (23%); e em local fixo (52%).

 

Quanto a idade, o menor índice de formalização, de 11%, foi verificado na faixa etária até 24 anos.

 

Nas demais faixas, os números são: 13% para quem tem 65 anos ou mais; 15% na faixa entre 55 e 64 anos; 18% para quem tem entre 45 e 54 anos; 19% na faixa entre 25 e 34 anos; e 22% entre os donos de negócio com idade entre 35 e 44 anos.

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