Dia de campo em Nazarezinho marca resgate do algodão ecológico

Agricultura

03/06/2017 às 01h44

Dia de campo em Nazarezinho marca resgate do algodão ecológico

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NAZAREZINHO - Para incentivar o resgate do algodão, cultura que gera renda e cidadania às famílias agricultoras paraibanas, o Governo do Estado, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB), está investindo fortemente no cultivo do algodão agroecológico.


Os resultados serão demonstrados na próxima quarta-feira (7), durante um dia de campo, em Nazarezinho, no Alto Sertão.

 

Com parceria da Prefeitura Municipal local e da Emabrapa/Algodão, o evento começa as 8 horas no sítio Trapiá, pertencente ao casal produtor Alcino Alves Pedrosa e Maria Vânia de Lima, com estimativa de público em torno de 500 pessoas, entre extensionistas, agricultores e autoridades do setor público agrícola, segundo informações do coordenador regional da Emater em Sousa, Assis Bernardino.


Dividido em cinco estações – Apresentação e introdução, Sistema de produção do algodão, Manejo agroecológico, Aspectos econômicos e comercialização e Derivados do algodão –  o dia de campo, além de mostrar a viabilidade econômica que a cultura oferece, vai focar na diversidade agrícola, enfatizando o sistema de consórcio com o milho, o feijão, o gergelim, dentre outras culturas convencionais da agricultura familiar.

 

O campo de multiplicação de sementes consorciado com gergelim tem uma área de um hectare e estimativa de produção de 1.200 quilos de algodão e 400 quilos de gergelim. A variedade cultivada é a BRS 286, desenvolvida pela Embrapa Algodão.


De acordo com o assessor estadual de Agroecologia da Emater, Ricardo Pereira, a introdução do algodão agroecológico na agricultura familiar já é uma alternativa viável do ponto de vista do incremento na geração de renda do agricultor.

 

Ele explica que enquanto o algodão convencional, uma das fontes mais poluidoras do meio ambiente, é comercializado o quilo por R$ 1,20, a Indústria Têxtil Norfil S/A, empresa parceira do Projeto Algodão Paraíba, está comprando o quilo do algodão orgânico branco em rama por R$2,40.


Conforme Ricardo, uma das vantagens de se produzir ecologicamente correto reside na busca de equilíbrio do ecossistema para resultar em plantas mais resistentes a pragas e doenças.

 

Nos campos do Algodão Paraíba o manejo é feito com adubos e inseticidas naturais, como o extrato de castanha de caju, o macerado de pimenta do reino e o biofertilizante de plantas.

 

Já o monitoramento é feito de forma sistemática, com avaliação de presença de pragas nas culturas consorciadas.

 

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O Projeto

 

Iniciado em 2015, em Unidades Técnicas Demonstrativas (UTDs), o Projeto Algodão Paraíba já está sendo implantado em 14 municípios paraibanos e ganhando destaque internacional.

 

O objetivo principal é garantir a participação do agricultor familiar na cadeia produtiva do algodão orgânico e, com isso, melhorar os índices de produção e baixar seus custos.


Na implantação do projeto foram observados todos os programas e políticas públicas existentes e como poderiam beneficiar as famílias agricultoras.

 

Após todas as articulações e entendimentos foram identificados e selecionados sete pólos de produção: Médio e Alto Sertão, Curimataú, Borborema e Agreste, firmados os contratos de compra e venda, por fim elaborado o cronograma de atividades que compreende época de plantio, capacitação modular dos agricultores, implantação de UTDs e realização de dias de campo, como este ocorrerá em Nazarezinho.


Segundo o diretor técnico da Emater, Vlaminck Saraíva, responsável pela elaboração  do projeto junto com o coordenador de Operações, Alexandre Alfredo, o Algodão Paraíba tem como meta resgatar a história do desenvolvimento do povo nordestino com um grande diferencial por estar baseado nos princípios da agroecologia e da economia solidária.

 

“É uma experiência inovadora de desenvolvimento local sustentável com enfoque participativo na gestão da produção e comercialização, onde é possível as famílias agricultoras discutirem com extensionistas sobre a melhor época e forma de plantio, demandarem a necessidade real da pesquisa e negociarem diretamente com empresas compradoras do algodão” enfatiza.

 

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São dezenas de famílias agricultoras beneficiárias do Projeto Algodão Paraíba em municípios jurisdicionados pelas regiões administrativas da Emater de Sousa, Itaporanga, Patos, Areia, Itabaiana, Picuí e Campina Grande.

 

A ação conta com importantes parcerias da Embrapa/Algodão e da iniciativa privada, por meio da Indústria Textil Norfil S/A, que possui uma unidade de fiação em João Pessoa e compra toda a produção.

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