Beira-Mar se forma em teologia e analisa Jesus em dissertação

Educação

16/08/2019 às 10h18

Beira-Mar se forma em teologia e analisa Jesus em dissertação

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Após 3.440 horas de aulas à distância, Fernandinho Beira-Mar se formou em teologia nas Faculdades Batista do Paraná.

 

Ele escolheu Jesus Cristo como tema de seu trabalho de conclusão de curso, que foi avaliado com nota 9 pela banca.

 

Ele não pode comparecer à colação de grau, que aconteceu no dia 30 de agosto passado. No formulário anexado ao TCC, o traficante deixou em branco o campo em que precisa explicar o motivo da ausência na formatura.

 

No trabalho de conclusão de curso, o traficante condenado critica a globalização, o capitalismo e o consumismo.

 

"Infelizmente, no mundo atual, globalizado, capitalista, consumista e com todas as facilidades e rapidez oferecidas pela internet, muitos acreditam, falsamente, que felicidade consiste em possuir bens materiais, assim como poder e fama", defende o bacharel em teologia no texto. A monografia será transformada em livro e vendida no site do traficante, junto com canecas, camisetas e capas de celulares – tudo com a marca FBM.

 

Um dos traficantes de drogas e armas mais famosos do país, Luiz Fernando da Costa foi capturado em um um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2001. À época, foi descrito nos jornais colombianos como o “Pablo Escobar brasileiro”.

 

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

 

Na dissertação final, Fernandinho Beira-Mar criticou a teologia da prosperidade, aplicada por parte das igrejas neopentecostais para justificar doações para os ministérios cristãos: "Jesus foi um grande problema para a classe dominante de seu tempo e ainda O é. Cristo era um Homem que levava sua Palavra sem se preocupar com estabelecimentos, pregava em montes, praias, cidades e templos, levando o Reino de Deus aos que necessitavam, sem prometer a fortuna na terra, e sim a fé, a caridade e o amor.”

 

Hoje, Beira-Mar está preso em Mossoró, Rio Grande do Norte. Para completar o curso, ele usou a internet os computadores das unidades federais, que são monitorados para impedir comunicação externa.

 

Isso não impediu o traficante de seguir comandando o tráfico: uma investigação da Polícia Federal em maio de 2017 revelou que ele alternava as atividades criminosas com os estudos de teologia na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

 

A época, ele atuava em 13 comunidades de Duque de Caxias (RJ) com sua rede de contatos a partir da Favela Beira-Mar.

 

O lucro mensal do grupo era de cerca de R$ 1 milhão, mesmo com o chefe atrás das grades.

 

Fonte: UOL

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