Aécio Neves tem R$ 128 milhões bloqueados por propina

Brasil

29/05/2019 às 09h10

Aécio Neves tem R$ 128 milhões bloqueados por propina

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SÃO PAULO - O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) teve R$ 128 milhões bloqueados por determinação do juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, na noite desta quarta-feira (28).

 

A defesa já entrou com recurso.

 

A decisão atende pedido do Ministério Público Federal, que apura o pagamento de propina paga pelo empresário Joesley Batista, do Grupo J&F, ao deputado. Outras 13 pessoas e empresas estão envolvidos no esquema.

 

Segundo a decisão, no primeiro trimestre de 2015, em encontro na casa de Joesley, em São Paulo, o então senador teria solicitado o pagamento de R$ 18 milhões para a quitação de despesas eleitorais pendentes da campanha presidencial do PSDB, de 2014.

 

O investigado teria recebido a quantia de R$ 17.354.824,75 por meio da aquisição de prédio do ‘Jornal Hoje Em Dia’, situado em Belo Horizonte.

 

Depois, entre 2015 e 2017, ainda segundo a decisão, Aécio teria pedido pagamentos mensais de R$ 50 mil, por meio da Rádio Arco Íris, sediada na capital mineira.

 

"Em decorrência da solicitação, o investigado teria recebido, ao menos, R$ 918 mil, em dezessete pagamentos de R$ 54 mil realizados entre os meses de julho de 2015 e junho de 2017", explica a acusação.

 

A versão de Aécio

 

A defesa afirma "que considera inusitada e incompreensível a determinação de bloqueio das contas pessoais do deputado Aécio Neves e já apresentou recurso contra ela."

 

"Os valores referem-se, na sua grande maioria, segundo os próprios delatores, a doações eleitorais feitas pela JBS a diversos partidos políticos em 2014.

 

Doações, inclusive, declaradas ao TSE.

 

Depois, o destino final desses recursos comprovadamente foram os diferentes partidos políticos da coligação do PSDB.

 

Nunca houve sequer uma acusação de que o deputado Aécio tenha se beneficiado pessoalmente de nenhum centavo.

 

Registre-se que os aventados R$ 128 milhões nunca entraram, saíram ou transitaram nas contas do deputado, que, ao longo dos anos, não chegou a ter como saldo, entre conta bancária e aplicação financeira, sequer 1% de tal valor.

 

Por fim, a defesa reafirma a falsidade das acusações feitas pelos delatores da JBS na busca desesperada pela validação de seu acordo de delação e aguarda a conclusão das investigações para o restabelecimento da verdade", diz o texto assinado pelo advogado Alberto Zacharias Toron.

 

A J&F afirma que não vai comentar a decisão da Justiça.

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